Sobre o amor e outros demônios
Todos o viram gritar com empolgação... mas só ela percebeu o olhar vago e perdido de quem não sabe para onde vai. De longe, sem poder chegar ou tocar ou oferecer o silêncio amigo de que ele precisava.
Onde todos viram entusiasmo, ela viu desespero, uma ânsia enorme por se encontrar para poder deixar sua marca no mundo.
E assim, tão distante quanto podia, não por vontade, mas por necessidade e respeito, ela silenciou, pegou a caneta e compartilhou suas reflexões apenas com o papel.
Queria fazer mais? Claro... quando se ama há a preocupação e a vontade de estender a mão, emprestar o ouvido, doar amizade... mas até a amizade está congelada por tempo indeterminado.
Resta apenas pegar um café e acompanhar os acontecimentos de longe, barganhando com o tempo e o vento, esperando a tempestade passar e torcendo que a enxurrada deixe algum resquício de sentimento. Que possa sobrar uma réstia de luz ao menos, uma fagulha de lembrança que possa trazer o amor e a amizade para o presente. Se não o amor, a amizade, ao menos.
Nessa altura da vida, ela não tem mais grandes pretensões: uma grande amizade sempre vai ser melhor do que um amor quebrado. Ela já entendeu que não veio a este mundo para viver um grande amor... não ao lado dela, ao menos... Ela está na Terra para um amor tranquilo e grandes amizades.
Ela já entendeu que não se pode depender nunca do amor. Ele nunca é o suficiente sozinho. E as pessoas não sabem lidar com ele. As pessoas são instáveis demais para doá-lo com a responsabilidade de não machucar o outro.
Largou a caneta e olhou pela janela: "A Lua está realmente linda esta noite."

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