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Sobre o amor e outros demônios

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       Todos o viram gritar com empolgação... mas só ela percebeu o olhar vago e perdido de quem não sabe para onde vai. De longe, sem poder chegar ou tocar ou oferecer o silêncio amigo de que ele precisava.      Onde todos viram entusiasmo, ela viu desespero, uma ânsia enorme por se encontrar para poder deixar sua marca no mundo.      E assim, tão distante quanto podia, não por vontade, mas por necessidade e respeito, ela silenciou, pegou a caneta e compartilhou suas reflexões apenas com o papel.       Queria fazer mais? Claro... quando se ama há a preocupação e a vontade de estender a mão, emprestar o ouvido, doar amizade... mas até a amizade está congelada por tempo indeterminado.      Resta apenas pegar um café e acompanhar os acontecimentos de longe, barganhando com o tempo e o vento, esperando a tempestade passar e torcendo que a enxurrada deixe algum resquício de sentimento. Que possa sobrar uma ...

Apenas mais uma de Amor.

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Ela sugeriu aquele bar de propósito. Sabia que ele estaria ali. E já imaginava que o encontraria acompanhado da nova namorada...  Ele a viu assim que ela entrou com o acompanhante, mas foi discreto, fingiu não a conhecer, da mesma forma que ela o fez.  De repente o celular dela tremeu... ah, aquele emoji... ela respondeu da mesma forma... na mesa, ela alegou uma indisposição gástrica e se dirigiu ao banheiro. Dessa vez ela o encarou durante todo o seu trajeto, sem nem disfarçar. Ele, tão cafajeste que é, se recusou a desviar o olhar... e é exatamente assim que ela gosta. Que bom que a acompanhante dele, distraída com o cardápio, nem percebeu. Enquanto lavava a mão no lavatório da área comum, ela sentiu que ele se aproximava, segundos antes de sentir a mão dele puxando seu braço e a levando para dentro do banheiro. Mal a porta foi trancada já estavam com as bocas coladas num beijo mais quente do que o inferno.  Mãos subiam e desciam buscando a pele, o seio, o sexo. Sem nen...

Um dia qualquer

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Ela estava ali, tinha acabado de escrever seu primeiro bilhete: um cartão de Dia dos Pais, que ela desenhava e pintava pacientemente. Eu ali, apenas aguardando, imaginando como foi que eu fui me meter nessa. Como foi, oras? Eu sei muito bem como foi. Você aproveitou o momento certo para que pudéssemos nos ver todo dia... ver, só isso... ou, ao menos, isso. Apesar do desejo em nossos olhos quererem muito mais do que só isso. Na preocupação da sua filha não ter a oportunidade de ser alfabetizada no tempo certo com esse período obscuro da História, você propôs uma professora particular... e olha só que coincidência, você até conhece uma! Nós, tão acostumados com os raros encontros às escondidas, longe de olhos curiosos, geralmente na horizontal (ou diagonal, ou vertical, de todos os jeitos possíveis) agora  nos víamos quase todos os dias, com tantas testemunhas, evitando nos olharmos nos olhos para não nos acusarmos, não deixar explícita a nossa intimidade. De vez em quando nos traímo...

Uma tarde

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  Eu te amo! Escapou assim, depois daquela foda fantástica. Pulou antes que pudesse ser engolido de volta. Loucura! Não pode ser amor! Assustada com suas próprias palavras, ela olhou para aquele rosto tão lindo, aquela barba tão bem aparada... ah, aquela barba... Ele cochilava. Entregou-se ao cansaço de dias de trabalho sem pausa. Loucura! Como seria amor? Ambos fugiam de um casamento relativamente feliz para se encontrarem quando o destino determinava que era hora, para se entregarem ao encaixe perfeito de seus corpos em busca do ápice do prazer. Sexo... desejo... satisfação...  Era isso... só  isso... Mais do que isso estragaria todos os momentos perfeitos, aquele 69 perfeito, aquele tapa na bunda perfeito, aquele puxão no cabelo perfeito... ah... Ela se aconchegou no braço dele, ele ressonava. Ela sabia que o amava. Mas sabia também que não era esse amor de posse, de ciúmes, de viver grudado e ter que saber o que o outro faz a cada minuto do dia. Era um amor diferente,...