Sobre o amor e outros demônios
Todos o viram gritar com empolgação... mas só ela percebeu o olhar vago e perdido de quem não sabe para onde vai. De longe, sem poder chegar ou tocar ou oferecer o silêncio amigo de que ele precisava. Onde todos viram entusiasmo, ela viu desespero, uma ânsia enorme por se encontrar para poder deixar sua marca no mundo. E assim, tão distante quanto podia, não por vontade, mas por necessidade e respeito, ela silenciou, pegou a caneta e compartilhou suas reflexões apenas com o papel. Queria fazer mais? Claro... quando se ama há a preocupação e a vontade de estender a mão, emprestar o ouvido, doar amizade... mas até a amizade está congelada por tempo indeterminado. Resta apenas pegar um café e acompanhar os acontecimentos de longe, barganhando com o tempo e o vento, esperando a tempestade passar e torcendo que a enxurrada deixe algum resquício de sentimento. Que possa sobrar uma ...